Ave Luz

Alegra-te cheia de graça!

Comunhão na mão, comunhão de joelhos

Anos atrás, quando retornei para a Igreja por um chamado da Virgem Maria eu nem sabia direito o que era a Eucaristia e nem sabia que Cristo estava presente na Hóstia que comungávamos. Não sabia de nada, mas sabia que deveria estar ali e que iria, como todos, comungar. Também não sabia que para comungar deveria confessar antes. Enfim, eu não sabia nada! Fiz minha primeira Comunhão aos 12 anos, por aí, e estava, aos 32, retornando para a Igreja.

Eu via então que as pessoas comungavam recebendo a Hóstia na mão. Resolvi então receber a Hóstia na mão.

Na missa do dia seguinte voltei a receber a Hóstia na mão. E observei que algumas pessoas que recebiam a Hóstia na mão, ficavam olhando para a mão após comungar. Resolvi então, após comungar na mão olhar para a minha mão. E eis que vi, na palma da mão, um pedacinho da Hóstia! Lambi a mão para capturar aquele pedacinho.

Esse fato vez por outra me vem a memória, agora que sei o que é a HÓSTIA CONSAGRADA. Fico pensando nas pessoas que comungam na mão e que nem percebem se ficou um pedacinho na mão após comungarem. Também penso em Igrejas onde o fiel é proibido de comungar na boca e não podem se ajoelhar para receber a Comunhão.

Eu já fui proibida de comungar na boca em Niterói. Eu abri a boca e o Padre me forçou a receber na mão. Em obediência, recebi.

Realmente, não gosto de receber Jesus, o SANTO DOS SANTOS, em pé e na mão. A Eucaristia é TUDO e quando A recebo eu preciso ajoelhar!

Então, hoje, procurando algo sobre o tema, achei o artigo abaixo, que reproduzo.

Se a EUCARISTIA É O QUE É e eu CREIO QUE É, não podemos recebê-La como "coisa qualquer".

Comunhão na mão, comunhão de joelhos

D. Albert Malcolm Ranjith, Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos

Prefácio de D. Malcolm Ranjith, Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos à obra “Dominus Est - Riflessioni di un Vescovo dell'Asia Centrale sulla sacra Comunione”, escrito por D. Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Karaganda (Cazaquistão)

No livro do Apocalipse, São João narra que tendo visto e ouvido o que lhe havia sido revelado, se prostrava em adoração aos pés do Anjo de Deus (cf. Ap. 22, 8). Prostrar-se ou ajoelhar-se ante a majestade da presença de Deus, em humilde adoração, era um hábito de reverência que Israel manifestava sempre ante a presença do Senhor. Diz o primeiro livro dos Reis: “Quando Salomão acabou de dirigir a Javé toda essa oração e súplica, levantou-se diante do altar de Javé, no lugar em que estava ajoelhado e de mãos erguidas para o céu. Ficou em pé e abençoou toda a assembleia de Israel” (1 Reis 8, 54-55). A postura da súplica do Rei é clara: ele estava genuflectido perante o altar.

A mesma tradição se encontra também no Novo Testamento onde vemos Pedro ajoelhar-se diante de Jesus (cfr Lc 5, 8); Jairo para Lhe pedir que cure a sua filha (Lc 8, 41); o Samaritano quando volta para agradecer-Lhe e a Maria, irmã de Lázaro, para Lhe pedir a vida em favor de seu irmão (Jo 11, 32). A mesma atitude de se prostrar, devido ao assombro causado pela presença e revelação divinas, nota-se não raramente no livro do Apocalipse (Ap 5, 8, 14 e 19, 4).

Estava intimamente relacionada com esta tradição a convicção de que o Templo Santo de Jerusalém era a casa de Deus e portanto era necessário dispor-se nele em atitudes corporais que expressassem um profundo sentimento de humildade e de reverência na presença do Senhor.

Também na Igreja, a convicção profunda de que sob as espécies eucarísticas o Senhor está verdadeira e realmente presente, e o crescente costume de conservar a santa comunhão nos tabernáculos, contribuiu para a prática de ajoelhar-se em atitude de humilde adoração do Senhor na Eucaristia.

Com efeito, a respeito da presença real de Cristo sob as espécies Eucarísticas, o Concilio de Trento proclamou: “in almo sanctae Eucharistiae sacramento post panis et vini consecrationem Dominum nostrum Iesum Christum verum Deum atque hominem vere, realiter ac substantialiter sub specie illarum rerum sensibilium contineri” (DS 1651).

Além disso, São Tomás de Aquino já tinha definido a Eucaristia latens Deitas (S. Tomás de Aquino, Hinos). A fé na presença real de Cristo sob as espécies eucarísticas já pertencia então à essência da fé da Igreja Católica e era parte intrínseca da identidade católica. Era evidente que não se podia edificar a Igreja se esta fé fosse minimamente desprezada.

Portanto, a Eucaristia – Pão transubstanciado em Corpo de Cristo e vinho em Sangue de Cristo, Deus em meio a nós – devia ser acolhida com admiração, máxima reverência e atitude de humilde adoração. O Papa Bento XVI recordando as palavras de Santo Agostinho “nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; peccemus non adorando” (Enarrationes in Psalmos 89, 9; CCLXXXIX, 1385) ressalta que “receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos (...) somente na adoração pode amadurecer um acolhimento profundo e verdadeiro” (Sacramentum Caritatis, 66).

Seguindo esta tradição, é claro que adoptar gestos e atitudes do corpo e do espírito que facilitam o silêncio, o recolhimento, a humilde aceitação de nossa pobreza diante da infinita grandeza e santidade d’Aquele que nos vem ao encontro sob as espécies eucarísticas, torna-se coerente e indispensável. O melhor modo para exprimir o nosso sentimento de reverência para com o Senhor Eucarístico seria seguir o exemplo de Pedro que, como nos narra o Evangelho, se lançou de joelhos diante do Senhor e disse “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” (Lc 5, 8).

Ora, nota-se que nalgumas igrejas, tal prática se torna cada vez mais rara e os responsáveis não só impõem aos fiéis receber a Sagrada Eucaristia de pé, mas inclusive tiraram os genuflexórios obrigando os fiéis a permanecerem sentados ou em pé, até durante a elevação das espécies eucarísticas apresentadas para a Adoração.

É estranho que tais procedimentos tenham sido adoptados em dioceses, pelos responsáveis da liturgia, e nas igrejas pelos párocos, sem a mais mínima consulta aos fiéis, se bem que hoje se fale mais do que nunca, em certos ambientes, de democracia na Igreja.

Ao mesmo tempo, falando da Comunhão na mão é necessário reconhecer que se trata de uma prática introduzida abusivamente e à pressa nalguns ambientes da Igreja imediatamente depois do Concilio, alterando a secular prática anterior e transformando-se em seguida como prática regular para toda a Igreja. Justificava-se tal mudança dizendo que reflectia melhor o Evangelho ou a prática antiga da Igreja.

É verdade que se se recebe na língua, se pode receber também na mão, sendo ambos órgãos do corpo de igual dignidade. Alguns, para justificar tal prática, referem-se às palavras de Jesus: “Tomai e comei” (Mc 14, 22; Mt 26, 26). Quaisquer que sejam as razões para sustentar esta prática, não podemos ignorar o que acontece a nível mundial em todas partes onde é adoptada.

Este gesto contribui para um gradual e crescente enfraquecimento da atitude de reverência para com as sagradas espécies eucarísticas. O costume anterior, pelo contrário, preservava melhor este senso de reverência. Àquela prática seguiu-se uma alarmante falta de recolhimento e um espírito de distracção geral. Actualmente vêem-se pessoas que comungam e frequentemente voltam aos seus lugares como se nada de extraordinário se tivesse dado. Vêem-se mais distraídas ainda as crianças e adolescentes. Em muitos casos, não se nota este sentido de seriedade e silêncio interior que devem indicar a presença de Deus na alma.

O Papa fala da necessidade de não só entender o verdadeiro e profundo significado da Eucaristia, como também de celebrá-la com dignidade e reverência. Diz que é necessário estar conscientes “dos gestos e posições, como, por exemplo, ajoelhar-se durante os momentos salientes da Oração Eucarística” (Sacramentum Caritatis, 65).

Além disso, tratando da recpção da Sagrada Comunhão, convida todos para “que façam o possível para que o gesto, na sua simplicidade, corresponda ao seu valor de encontro pessoal com o Senhor Jesus no Sacramento” (Sacramentum Caritatis, 50).

Nesta perspectiva é de apreciar o opúsculo escrito por S. Excia. D. Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Karaganda, no Cazaquistão, sob o muito significativo título “Dominus Est”. Ele deseja dar uma contribuição à actual discussão sobre a Eucaristia, presença real e substancial de Cristo sob as espécies consagradas do Pão e do Vinho

É significativo que D. Schneider inicie a sua apresentação com uma nota pessoal recordando a profunda fé eucarística da sua mãe e de outras duas senhoras; fé conservada no meio de tantos sofrimentos e sacrifícios que a pequena comunidade dos católicos daquele país padeceu nos anos da perseguição soviética. Começando desta sua experiência, que nele suscitou uma grande fé, admiração e devoção pelo Senhor presente na Eucaristia, ele apresenta-nos um excursus histórico-teólogico que esclarece como a prática de receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos foi recebida e exercitada pela Igreja durante um longo período de tempo.

Creio que chegou a hora de avaliar a prática acima mencionada, de reconsiderá-la e, se necessário, abandonar a actual, que de facto não foi indicada nem pela Sacrosanctum Concilium, nem pelos Padres Conciliares, mas foi aceite depois da sua introdução abusiva nalguns países.

Hoje mais do que nunca é necessário ajudar o fiel a renovar uma fé viva na presença real de Cristo sob as espécies eucarísticas para reforçar assim a vida da Igreja e defendê-la no meio das perigosas distorções da fé que tal situação continua a criar.

As razões de tal medida devem ser não tanto académicas, quanto pastorais – espirituais como litúrgicas –, em suma, as que edificam melhor a fé. D. Schneider neste sentido mostra uma louvável coragem, pois soube entender o significado das palavras de São Paulo: “mas que tudo seja para edificação” (1 Cor 14, 26).

+ Malcolm Ranjith, Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos

(Tradução não-oficial. Resumo da obra disponível em www.libreriaeditricevaticana.com/it/news/info.jsp?product_id=31630)

 

Exibições: 648

Comentar

Você precisa ser um membro de Ave Luz para adicionar comentários!

Entrar em Ave Luz

Comentário de Roseane Valle em 12 junho 2013 às 20:12

Grata

Comentário de Regina Maria em 12 junho 2013 às 14:09

boa a sua explicação, J Ricardo, ainda assim prefiro de joelhos e na boca pois considero  uma realidade tão sobrenatural que obrigo minha mente a render-se para ao Extraordinário.

Comentário de J Ricardo A de Oliveira em 12 junho 2013 às 7:29

Olá Regina minha irmã,

Essa questão da comunhão na mão ou na boca é uma das questões que vez por outra aparece, especialmente no que se refere a algumas pessoas que preferem seguir uma suposta tradição que vem do período medieval, em detrimento da verdadeira tradição cristã que data do tempo de Jesus e seus apóstolos.
Há que se considerar que as posturas e os comportamentos durante o sagrado Ágape fraterno foram sendo modificados ao longo dos séculos e em alguns casos passaram a ser considerados por alguns quase como dogmas.
Mas não podemos esquecer que a verdadeira tradição que devera ser seguida é aquela os apóstolos determinaram nos primeiros séculos da cristianismo nascente. Alguns escritos desta época estão preservados e podemos ter acesso a eles, dentre eles o “Didaqué” ou catecismo dos apóstolos e no que se refere a este nosso assunto, a questão especial do como receber a eucaristia, o texto de São Cirilo de Jerusalém, um dos pais da igreja chamado de "Catequeses Mistagógicas" trata especificamente da questão. O texto data do século III, época em que S. Cirilo foi bispo de Jerusalém.
 A quinta catequese trata da "Eucaristia" e  a partir do sub item nº 19 trata especificamente da comunhão. No item 21 encontramos o seguinte texto:

"Ao te aproximares (da comunhão) não vás com as palmas das mãos estendidas, nem com os dedos separados; mas faze com a mão esquerda, um trono para a direita como quem deve receber um Rei e no côncavo da mão espalmada recebe o corpo de Cristo, dizendo <Amém>.

Com segurança, então, santificando teus olhos pelo contato do corpo sagrado, toma-o e cuida de nada se perder. Pois se algo  perderes é como se tivesse perdido um dos próprios membro. Dize-me, se alguém te oferecesse lâminas de ouro, não as guardaria com toda segurança, cuidando que nada delas se perdesse e fosses prejudicado? Não cuidarás pois, com muito mais segurança deum objeto mais precioso que ouro e pedras preciosas, para dele não perderes migalha sequer?

 

Muitas vezes, a piedade de alguns cristãos  neo-convertidos ou que estão retornando para a igreja faz com que queiram ser mais exigentes com suas práticas, como que para compensar o período que estiveram longe da maravilhosa comunhão, mas é preciso cuidado e atenção. Muitos destes cristãos e especialmente aqueles que se recusam a seguir o caminho determinado pela igreja pós Concilio Vaticano II, costuma querer impor regras e doutrinas que o concilio mostrou qe não condiziam com as verdades evangélicas e apostólicas. Há como que um insistência a um retorno ao período Tridentino, recusando-se a  ir além do concilio de Trento e cainhar comum igreja que é povo de Deus. Muitos por insistirem nestas bobagens acabaram sendo excomungados, como o bispo cismático Marcel Lefebrve e os seguidores que mesmo  nesta situação fazem grande pressão e acabam sendo seguidos por pessoas ingênuas, ou desinformadas.

Observemos sempre que Jesus é simples e mais simples ainda é aquilo que nos ensinou. Ele disse que não veio para os que estavam salvos e sim para os que precisam de remédio, ele não fez objeção, deu-se a todos, até mesmo ao Judas pecador e traidor. Disse com muita propriedade que não veio para ser servido e sim para servir, disse literalmente que TODA a  LEI e Profecia resumiam-se a “...amar como vos amo” e que quem quiser ser salvo cuide dEle através do cuidado de seus pequeninos (os pobres e excluídos) [Mateus 25]

Cuidemos do que é mais importante do que as posturas corporais, cuidemos de Amar como ele nos ama, o que por sí só já determina toda uma vida de aprendizado e renuncia.

Na Paz e no Amor daquele que se deu por nós,

J Ricardo

Comentário de Anete Soares em 12 junho 2013 às 2:03

 Certamente a postura externa diz um algo, esta  vem bem exibida do proprio Senhor Jesus que pegou o pao partiu e distribuiu a todos que pegaram parte do pao partido sem se preocupar com dobrar de joelhos ou micro migalhas que eventualmente poderiam restar em suas maos. Interessante tambem , e saber que ate mesmo Judas recebeu do pao e Jesus nao recusou a ninguem.

A biblia nos diz , que quem come  e beve indignamente , come e bebe para sua propria condenaçao, visto que peca contra o seu proprio corpo.

A consciencia do SACRIFICIO DE CRISTO E DA ETERNA ALIANçA  no faz pensar no verdadeiro dobrar  joelhos que atraves  da nossa confiçao e do  verdadeiro arrependimento de nossos atos.

Para prepararmos nossos corpos templos do Espirito Santo e para preparmos nossas menntes e coraçoes  para receber o Amor dentro de nossas moradas.

Senhor eu realmente nao sou digna de que entreis em minha morada "Corpo", mas dizeis uma so palavra 

"________________"  e serei salva!

Comentário de luiza nazare barreto leite em 11 junho 2013 às 22:03

Regina Maria, eu também concordo com a sua posição. Eu aprendi e ensinei (quando era catequista) para receber o corpo de Cristo, tenho que está de joelhos e com meu pensamento voltado para aquele ato, com todo respeito. Estamos esquecendo a palavra "respeito". 

© 2020   Criado por Regina Maria.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço